Uma campanha eleitoral sem sondagens

Nos últimos anos as sondagens tornaram-se o epicentro das campanhas eleitorais, asumindo um protagonismo que supera os próprios programas apresentados pelos candidatos e tornando-se num instrumento essencial para o chamado "voto útil" e, até, para manipular o eleitorado indeciso.

Uma campanha eleitoral sem sondagens

Nos últimos anos as sondagens tornaram-se o epicentro das campanhas eleitorais, asumindo um protagonismo que chega a superar os próprios programas apresentados pelos candidatos e tornando-se num instrumento essencial para o chamado "voto útil" e, até, para manipular o eleitorado indeciso.

A divulgação de sondagens durante a campanha eleitoral pode ser considerado útil para permitir ao eleitorado ter uma perspetiva geral do cenário político e das suas implicações. Numa altura em que o sistema é contaminado por valores e princípios contrários aos valores expressos na nossa Constituição e até na nossa Democracia, as sondagens podem beneficar a concentração de votos (o chamado voto útil) para defender a Constituição e a Democracia dessas ameaças. Na verdade, é o que tem acontecido nas últimas eleições.

No entanto, só podemos falar em Democracia plena quando os cidadãos votam de acordo com as suas convicções políticas e em função das propostas e ideias apresentadas pelos partidos/candidatos.

Nestas últimas eleições Presidenciais, as "sondagens" diárias marcaram a agenda da campanha e a estratégia dos candidatos.

Imaginemos uma campanha eleitoral sem sondagens. Onde cada candidato apresenta argumentos e propostas para o cargo a que se candidata, tentando esclarecer e captar o eleitorado? Uma campanha eleitoral sem o ruído das sondagens, sem tendências, nem dados contraditórios ou candidatos excluídos da corrida antes mesmo de ela começar. Uma campanha onde os eleitores vão votar e decidem em função das propostas, e não, em função da possibilidade de X ou Y eleger ou ser eleito. Sem saber se determinado candidato já está praticamente excluido da corrida.

Um cenário onde os eleitores decidem o seu sentido de voto em função das suas convicções.

A palavra "proibição" ganhou um sentido prejurativo, mas proibir pode também ser um garante de maior liberdade. Num cenário onde, todo o dias, aparecem sondagens eleitorais, algumas, baseadas em "cálculos" e observações feitos por IA, sem qualquer entrevista realizada e sem a respetiva ficha técnica, as sondagens tornaram-se claramente um instrumento de manipulação.

Acredito que a proibição de divulgação de sondagens, pelo menos durante o periodo de campanha eleitoral, seria um importante contributo para eleições mais livres, mais justas e mais esclarecidas.

Haja coragem para avançar com esta medida.